Inspiro. O que preenche meus pulmões é puro presente. Me impressiono com a placidez de seu sono. Não, não é cansaço. Arrisco que refletirá a limpidez de seus olhos, mesmo quando ainda olham com costume míope.
Presente não é só alimento do tempo, é também dádiva.
Inspiro ainda um resto de presente. Agora já em minha memória. Com a minha insistência involuída não-zen, retenho momentos. Na minha retina, seu sorriso amplo. Na minha pele, algum vestígio da sua não visível a olho nu. Uma canção despudorada que se embrenha em fios multicoloridos.
Presente-dádiva.
Finalmente pareço poder aprender sem precisar das palavras. Simplesmente sendo e vivendo.
Através da respiração, aprendemos com o corpo, aprendemos com a alma. Por isso gosto de pensar em ti como um pranayama.
Tempo presente e sincronia.
Vejo o tempo como um rio que corre, sempre no presente. Me sinto grata por essa curva e por poder fluir nesse tempo presente contigo. Doce surpresa - dádiva.
Quando eu menos espero eu vivo.
Inspiro aqui. Expiro agora. Inspiro presente.
Pranayama.
Não sei se palavras são convenientes. Estas são apenas bocados inconclusos de memória, apontamentos para levitar.
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