Um dos sintomas de que você está ficando velha, mas se sente uma adolescente é quando vc começa a achar geniais frases de músicas dos anos oitenta.
Fiquei pensando que talvez a gente tenha inventado o nosso amor. Confundido mesmo encanto, ternura, paixão, tesão com amor. E inventando o nosso amor, fomos felizes. E de repente a vida, a bagagem, as neuras, os planos. E eu e minha capacidade de mergulhar tão fundo em tão pouco tempo. E nem sei se ele percebeu, mas eu o pedi em casamento. Segundo yo, claro. O nosso contrato verbal de ficar juntos enquanto estivéssemos felizes. E talvez ele tenha percebido antes de mim que o nosso amor era inventado. Talvez ele tenha percebido e tenha tido a coragem de ver que eram muito poucos momentos felizes para muita angústia. Eu sempre achando que dá pra salvar, que o amor vence tudo. Ha! ha! ha! O amor inventado não vence porra nenhuma. O amor inventado não supera a primeira dificuldade. O amor inventado nem é sólido e desmancha no ar.
Não sei o que resta do amor inventado quando passa o susto. Quando passa a tristeza e a desilusão não sei o que fica. Uma amizade transatlântica? Un recuerdo de umas boas fodas? O gosto amargo de "putz, como eu fui cair nessa"? Um alívio ao pensar que a vida seria difícil a seu lado? Ou a dúvida?
A dúvida de e se não foi inventado? E se foi tudo de verdade?
Não sei de nada. Sei que o tempo é um lento revelador de fotos. Você vai pouco a pouco percebendo a imagem se formando clara. Um belo dia, voilà! Uma fotografia em que você vê tudo com clareza. E chegará o momento de ver essa foto com clareza. Agora tá tudo meio nebuloso, turvo. Mas já consigo ver coisas que não gosto nada, atitudes que não admiro em alguém que deveria ocupar o posto de amor. Pode ser que a revelação da foto já esteja em andamento...
Well, os ânimos vão pouco a pouco se realinhando.
By the way, é sempre ótemo encontrar um ex-pretê que beija a tua mão e te diz "hola guapisima!". Tá bom, por dentro você pode estar um lixo, mas por fora ainda dá pra causar alguma impressão no ex-pretê (veja lá que catiguria é essa...).
O mundo gira e a lusitana roda...
Gente carinhosa com a gente inventa muito amor - pro lado dos outros. Nós sentimos amor, mas é basicamente porque amamos todo mundo, amamos a vida, amamos fácil. Acho que somos sortudas. A gente vive intensamente tudo que a gente ama. A gente vive. Meeeesmo. Os outros, já não sei.
Posted by: Catilde | 09/11/2007 at 11:09